“Mas dessa vez eu não chorei.
Quando você foi embora pela milésima vez, eu decidi que tinha cansado de ficar indo atrás e tentando concertar algo que não tem concerto. A gente sabe que nunca ia dar certo mesmo então pra quê ficar inventando desculpinhas pra continuar com isso? Por isso acabou, porque eu cansei de insistir nessa merda que a gente chamava de relação mas que nunca passou de um monte de brigas misturado a tesão e carência da minha parte. É difícil aceitar e assumir, mas é verdade que você sempre soube, lá no fundo, em um lugar que nem você sabia que existe, que eu nunca te amei da mesma forma que você me amou. Eu quis, eu juro, eu quis que desse certo e que no final a gente conseguisse rir disso tudo e respirar aliviados lado a lado. Mas não, a gente nunca ia conseguir nada disso porque a gente é a gente, e a gente não corre atrás, a gente não dá valor e não se importa. Então por causa da gente, a gente não deu certo, e nunca iria dar, não se dependesse de mim. Fala demais, reclama mais do que deveria e tem manias tão legais quanto as do meu avô de 96 anos. E eu te disse duzentas vezes que você era insuportável, que você me irritava, e que tinha acabado, mas sabe Deus porque, você ficava por perto e achava que era melhor assim. Mas nunca foi melhor, nunca, cara. Todas as vezes que você ficava depois de eu te mandar embora, eu queria sussurrar baixinho no teu ouvido o quanto você era perfeito, mas que infelizmente, não servia pra mim. Quando a gente brigava, eu só queria que você entendesse e fosse embora de uma vez sem todo aquele discurso de que eu não te amava e sei lá o quê. Eu não te amava, nunca te amei, nunca ia te amar, você não precisava ficar dizendo isso em voz alta, porque todo mundo sempre soube, todo mundo. A gente ter acabado não é mistério nem novidade, é só o resultado de uma equação em que apenas um ama e o outro fica rindo desse amor. Não me culpe, a culpa é toda sua, você que me amou demais e esqueceu de fazer eu te amar ao menos um pouquinho. Como pôde ser tão otário? Vai, pode falar, pode me explicar, eu vou te ouvir dessa vez, mesmo que tua voz me dê sono e eu queira matar você de vinte e quatro maneiras diferente. Isso mesmo, 24, afinal esse é o teu número preferido, não é mesmo? Você nunca foi homem o suficiente pra me cobrar nada, ou pra reclamar, ou pra qualquer outra coisa que exigisse de você o teu lado masculino. Tu foi mais mulher do que eu, mais mulherzinha e muito mais otário. Mas acabou, acabou graças a Deus e agora cada um vai pro seu lado e vai fingir que nada aconteceu e que isso foi um maldito erro, só isso, mais nada. Eu não lamento pelo fim, nem um pouquinho, sério, nem saudade eu sinto, afinal, não há nada que me faça sentir saudade. Você foi um daqueles erros que a gente comete só pra ter história pra contar pros netos ou então pra reclamar da vida depois. Só isso. Era carência, necessidade de estar com alguém e medo de ficar sozinha. Eu precisava de você pra eu aprender a ser sozinha, a não depender de ninguém, a não cometer erros e aprender um pouco sobre o amor, ou a falta dele no caso. Mas da gente, eu não quero levar nada, nadinha, nem uma lembrança. É sério, graças a Deus acabou.”
Quando você foi embora pela milésima vez, eu decidi que tinha cansado de ficar indo atrás e tentando concertar algo que não tem concerto. A gente sabe que nunca ia dar certo mesmo então pra quê ficar inventando desculpinhas pra continuar com isso? Por isso acabou, porque eu cansei de insistir nessa merda que a gente chamava de relação mas que nunca passou de um monte de brigas misturado a tesão e carência da minha parte. É difícil aceitar e assumir, mas é verdade que você sempre soube, lá no fundo, em um lugar que nem você sabia que existe, que eu nunca te amei da mesma forma que você me amou. Eu quis, eu juro, eu quis que desse certo e que no final a gente conseguisse rir disso tudo e respirar aliviados lado a lado. Mas não, a gente nunca ia conseguir nada disso porque a gente é a gente, e a gente não corre atrás, a gente não dá valor e não se importa. Então por causa da gente, a gente não deu certo, e nunca iria dar, não se dependesse de mim. Fala demais, reclama mais do que deveria e tem manias tão legais quanto as do meu avô de 96 anos. E eu te disse duzentas vezes que você era insuportável, que você me irritava, e que tinha acabado, mas sabe Deus porque, você ficava por perto e achava que era melhor assim. Mas nunca foi melhor, nunca, cara. Todas as vezes que você ficava depois de eu te mandar embora, eu queria sussurrar baixinho no teu ouvido o quanto você era perfeito, mas que infelizmente, não servia pra mim. Quando a gente brigava, eu só queria que você entendesse e fosse embora de uma vez sem todo aquele discurso de que eu não te amava e sei lá o quê. Eu não te amava, nunca te amei, nunca ia te amar, você não precisava ficar dizendo isso em voz alta, porque todo mundo sempre soube, todo mundo. A gente ter acabado não é mistério nem novidade, é só o resultado de uma equação em que apenas um ama e o outro fica rindo desse amor. Não me culpe, a culpa é toda sua, você que me amou demais e esqueceu de fazer eu te amar ao menos um pouquinho. Como pôde ser tão otário? Vai, pode falar, pode me explicar, eu vou te ouvir dessa vez, mesmo que tua voz me dê sono e eu queira matar você de vinte e quatro maneiras diferente. Isso mesmo, 24, afinal esse é o teu número preferido, não é mesmo? Você nunca foi homem o suficiente pra me cobrar nada, ou pra reclamar, ou pra qualquer outra coisa que exigisse de você o teu lado masculino. Tu foi mais mulher do que eu, mais mulherzinha e muito mais otário. Mas acabou, acabou graças a Deus e agora cada um vai pro seu lado e vai fingir que nada aconteceu e que isso foi um maldito erro, só isso, mais nada. Eu não lamento pelo fim, nem um pouquinho, sério, nem saudade eu sinto, afinal, não há nada que me faça sentir saudade. Você foi um daqueles erros que a gente comete só pra ter história pra contar pros netos ou então pra reclamar da vida depois. Só isso. Era carência, necessidade de estar com alguém e medo de ficar sozinha. Eu precisava de você pra eu aprender a ser sozinha, a não depender de ninguém, a não cometer erros e aprender um pouco sobre o amor, ou a falta dele no caso. Mas da gente, eu não quero levar nada, nadinha, nem uma lembrança. É sério, graças a Deus acabou.”
— Eu nunca amei nada em nós, só o nosso fim. — Cibele Sena (amargar)






